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Campo Grande no campo grande

Erva-mate, abundante em Campo Grande no final do século XIX


Quando em 1867 o tenente Alfredo D'Esgragnolle de Taunay passou pelo lugar onde nasceria anos depois a cidade de Campo Grande, de volta ao Rio de Janeiro, terminada a retirada da Laguna, a planície já era conhecida por esta denominação. Em seu diário de 20 de junho, após deixar a palhoça do Mota, único morador de toda a região, desde a fazenda Correntes até Camapuã, Taunay inicia sua descrição sobre o lugar, no que é, uma das primeiras notícias sobre o futuro arraial dos mineiros:

"Paramos no Mota, dando uma boa ração de milho aos animais. Às 2 1/2 horas da tarde seguimos viagem, indo, depois de duas léguas, entrar na estrada geral, da qual nos havíamos desviado no princípio do dia.

À noite começava então a cair; sem embargo fomos caminhando por desejarmos passar com o escuro a encruzilhada de Nioaque, visto como existia ainda a dúvida se os paraguaios em nossa perseguição para lá tinham mandado algum destacamento. Uma légua depois entramos no Campo Grande. Esta extensa campina constitui vastíssimo chapadão de mais de 50 léguas de extensão, em que raras árvores rompem a monotonia d'uma planura sem fim, e nela está lançada a estrada que leva a Nioaque e que é conhecida perfeitamente em toda a sua extensão pelos paraguaios.

O aspecto é, pois, extremamente uniforme: a marcha parece dificultosa e torna-se cansativa pela constante presença dos mesmos acidentes.

Para nós foram fatigantes o mais possível as duas léguas até chegar à encruzilhada de Nioaque. Além da incerteza que nos dominava sobre a presença do inimigo, vento vivo e frigidíssimo nos açoitava o rosto, demorando-nos o andamento dos animais. A lua surgiu quando apareceu a bifurcação dos dois caminhos e estão eles tão próximos um do outro por muitas braças, que só se os distingue atendendo para uma árvore de paratudo, que foi pelos carreiros golpeadas e quase lavrada. Meia légua além, fomos descansar junto ao capão do Buriti, onde os paraguaios, em 1865, agarraram uma família brasileira, a qual se arranchára para fazer mate, erva que ali se acha em abundância e por diante aparece frequentemente, debaixo da forma de arbustos e não como para os lados da colônia de Dourados e norte do Paraguai, em que se encontram árvores desenvolvidas e algumas até possantes".

FONTE: Taunay, Viagens de outrora, (segunda ediçao), Editora Melhoramentos de S. Paulo, 1921, página 43.

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