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O primeiro jornal de Campo Grande




Sob a direção do advogado e jornalista Arlindo de Andrade Gomes, que foi o primeiro juiz de Direito de Campo Grande, circulou em 22 de junho de 1913 o primeiro jornal da vila. “Impresso em papel couchê (de primeira) importado de Assunção, no Paraguai, com quatro páginas, sendo a primeira impressa com tinta dourada, ‘O Estado’ foi recebido com entusiasmo pela população. Os seus comentários, notícias e anúncios foram ‘devorados’ pelos poucos leitores de então”, segundo J. Barbosa Rodrigues.

No seu editorial de apresentação o compromisso com a imparcialidade que procurou manter durante o curto tempo de sua existência:


O Estado é um jornal que não tem política e que não traçou um programa para cumpri-lo, à risca. Sejamos francos.

Não defenderá este ou aquele partido. Não há política, não há governo bom ou mau, inteiramente. Na administração pública há atos que merecem aplausos e outros que exigem reprovação dos homens de senso. Quase sempre as oposições, na sede de conquistar o poder, tornam-se agressivas, não vendo a virtude senão de seu lado. O jornal político é um jornal injusto. 

Não temos um programa definido...muitos acham estranhável. Todo jornal tem um programa. Mas um programa é uma mentira. Até hoje nenhum jornal cumpriu o programa que se traçou.

Não somos federalistas nem unitaristas, presidencialistas nem parlamentaristas. Não adotamos esta ou aquela teoria econômica ou financeira para falarmos em nome dela. E seremos tudo.O jornal deve ser uma grande bandeira capaz de proteger todas as boas ideias.

Emparedar-se é que não.

Depois 'O Estado' surgiu por uma necessidade do nosso meio, interessando-se pelo progresso geral de Mato Grosso e especialmente do Sul. Na sua agricultura, no seu comércio, na sua admirável pecuária, nos seus meios de comunicação, nos seus formidáveis recursos naturais está o nosso campo de ação. 

Trabalhando pelo desenvolvimento de coisas tão naturais, não parecerá a muitos, boa missão dum jornal nos tempos correntes. Para nós é tudo. Se nos exigirem um programa será este.

Falta-lhe a retumbância e as cores dum longo programa político, sedutoramente escrito em linguagem de combate. Mas é uma ideia a que não faltam energia e patriotismo.



FONTE: J. Barbosa Rodrigues, O primeiro jornal de Campo Grande, Empresa Lítero-Técnica, Campo Grande, 1989. 


FOTO: acervo J. Barbosa Rodrigues.

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