Pular para o conteúdo principal

Presidente da República do Paraguai em Campo Grande




Em 2 de maio de 1943 de passagem para o Rio de Janeiro, onde foi recebido no dia 5 pelo presidente Getúlio Vargas, esteve em Campo Grande, o presidente da República do Paraguai, general Higino Morinigo. Seus passos, desde sua saída de Porto Esperança, no dia anterior até sua chegada à capital da República, são seguidos pelos enviados especiais e correspondentes da Agência Nacional, responsável pela divulgação de sua agenda no país. A estada do presidente paraguaio em Campo Grande teve o seguinte registro:

Em Campo Grande o trem especial

O trem presidencial deixou Porto Esperança, às 17 horas, chegando hoje às 8,40 a esta cidade. Em todo o trajeto - estações de Miranda, Taunay, Guia Lopes, Aquidauana, Camisão, Piraputanga, Laguna, Palmeiras, Cachoeirão, Murtinho, Pedro Celestino, Terenos, Jaraguá e Indubrasil - reconheceu-se o empenho das populações em distinguir e aplaudir o presidente Higino Morinigo.

Recebidos por altas autoridades

O presidente Higino Morinigo e sua comitiva foram recebidos na estação da Noroeste do Brasil, nesta cidade, pelo interventor Júlio Müller, o general Mário Xavier, comandante da 9a. Região Militar, o prefeito local Demóstenes Martins, o cônsul do Paraguai, o juiz de direito da comarca e outras autoridades civis e militares, além de incalculável massa de povo.

As homenagens prestadas ao general Morinigo

Depois das manifestações populares, que receberam na estação o presidente Higino Morinigo e sua comitiva, em automóveis, foram conduzidos pela principal artéria da cidade, passando o cortejo entre alas de povo que aclamava delirantemente os presidentes dos dois países amigos. Dirigindo-se ao palanque armado à praça da Liberdade, o presidente Higino Morinigo assistiu ao desfile militar em sua honra, passando depois revista às tropas em companhia do comandante da 9a. Região Militar, general Mário Xavier. Em seguida, S. Excia. foi ao Círculo Militar, onde o cônsul do Paraguai, nesta cidade, tenente-coronel Henrique Godoi Caceres, fez a apresentação dos representantes da colônia paraguaia de Campo Grande. Do Círculo Militar o presidente Higino Morinigo se dirigiu à sede do Rádio Clube.

O interventor Julio Müller saúda o presidente paraguaio

O interventor Júlio Müller ofereceu uma recepção ao general Morinigo e à sua comitiva na sede do Rádio Clube, presentes o comandante da 9a. Região Militar e o prefeito da cidade. Saudando o presidente da nação paraguaia o interventor matogrossense disse:

"Nesta hora trágica para a humanidade, como para o Brasil, as solenidades cívicas não são, nem poderiam ser, mero afloramento de alegria fugaz ou de entusiasmo sem raízes. São elas, ao contrário, como rajadas de estímulo, palpitações da alma brasileira fortificando o civismo e fixando propósitos firmes para realizações impreteríveis como o está a exigir a realidade presente. Assim pensando foi que vim a esta progressista Campo Grande para ter a honra insigne e a satisfação que ora sinto de apresentar a V. Excia. e a sua Excia a sra. Higino Morinigo e à ilustre comitiva de V, Excia. os votos de boas vindas de todos os matogrossenses, de todos os meus patrícios que aqui vivem e trabalham unidos e coesos sob a orientação segura e sábia do sr. presidente Getúlio Vargas. A V. Excia. e à Exma. sra. Higino Morinigo e a todos os membros da brilhente comitiva de V. Excia. os nossos votos de feliz permanência no Brasil".

O general Morinigo agradece

Agradecendo o discurso de saudação do interventor Julio Müller, o presidente Morinigo pronunciou na sede do Rádio Clube algumas palavras de agradecimento onde elogiou o progresso do Estado de Mato Grosso e a ação da tropa da 9a. Região Militar.

O presidente paraguaio deixou Campo Grande no dia seguinte.



FONTE: jornal A Noite (RJ) 3 de maio de 1943.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ex-prefeito de Campo Grande morre em São Paulo

Aos 90 anos, falece em São Paulo, em 20 de agosto de 1975, Arlindo de Andrade Gomes, o primeiro juiz de Direito de Campo Grande. Pernambucano, mudou para essa cidade em 1911, para instalar a comarca local. Renunciou 50 dias depois de assumir e dedicou-se à advocacia, ao jornalismo e à política. Fundou em 1913, o primeiro jornal impresso de Campo Grande, “O Estado de Mato Grosso” e chegou prefeitura municipal, exercendo o mandato entre 1921 e 1923. Na revolução do 32 foi membro do governo de Vespasiano Martins, instalado em Campo Grande, como secretário-geral.

Como prefeito de Campo Grande dedicou-se à arborização da cidade, com a plantação de ficus nas avenidas Mato Grosso e Afonso Pena e dos históricos pés de jequitibás na atual praça dr. Ari Coelho. Foi autor do código de posturas do município, conhecido como código do doutor Arlindo e, no seu mandato foi inaugurada a hidrelétrica do Ceroula que, por muitos anos, atendeu a cidade. 



FONTE: Paulo Coelho Machado, Arlindo de Andrade o pri…

Aterrado o rego d'água que abastecia Campo Grande

Por ordem do prefeito Antonio Norberto de Almeida (Totinho) é interrompido em 12 de janeiro de 1912, o serviço rudimentar de distribuição de água da vila de Campo Grande, através de um rego d'água. O sistema, muito utilizado na zona rural, e implantado na cidade no início de sua povoação, captava água de uma pequena queda cachoeira no riacho Prosa, atualmente localizada acima da rua Ceará entre as avenidas Afonso Pena e Ricardo Brandão. Por gravidade a água era levada, seguindo o traçado na atual rua 15 de novembro, paralelo ao Prosa, até desaguar no Segredo, atendendo chácaras e o perímetro urbano, no seu trajeto.
O serviço, único de extensão coletiva, chegou a ser regulamentado na reforma do código de posturas, em 1906, através de dois artigos:
Art. 31 - Todos que quiserem servir da água canalizada pelo rego existente serão obrigados a fazer pequenos regos até suas casas, tendo o cuidado de fazer bicas e tapar por cima quando atravessarem ruas e praças.
Art. 32 - Ninguém poderá pro…

Morre frei Gregório de Protásio Alves

Nascido David Bonato em 1915, na cidade gaúcha cujo nome adotaria no sacerdócio, morre em Campo Grande, em 28 de outubro de 2008, vítima de complicações cardíacas, frei Gregório. Aos 12 anos ingressa no seminário de Veranópolis. Em 1934, aos 19 anos, professa os votos da Ordem Franciscana, escolhendo o seu novo nome. Em 28 de março de 1937 recebe a ordenação sacerdotal no Convento de Marau, em Garibaldi (RS). 
Em 1956, após passar por diversas paróquias no Rio Grande do Sul e interior de São Paulo, muda-se para o Sul de Mato Grosso. No ano seguinte, assume a paróquia de Nossa Senhora Aparecida em Maracaju, onde permaneceu por três anos, quando foi designado para a função de Superior da Ordem dos Capuchinhos em Campo Grande. 
A 13 de maio de 1962, finca o cruzeiro e lança a pedra fundamental da igreja de Fátima, no Monte Líbano, que viria a ser sua obra mais relevante. O templo da igreja matriz de Nossa Senhora de Fátima foi solenemente inaugurado a 13 de maio de 1974.
Músico, poeta e…