Pular para o conteúdo principal

Carta de José Antonio Pereira ao bispo de Cuiabá




O fundador de Campo Grande, José Antonio Pereira, responde ao ofício de Cuiabá, comunicando a visita do bispo ao povoado e dando boas vindas ao prelado de Mato Grosso:

Campo Grande 6 de setembro de 1886. - Respeitável Senhor - Tem esta o fim honroso de cumprimentar-lhe como em minha própria pessoa dando-lhe os parabéns da feliz viagem desejando toda sorte de felicidade.

Acuso o recebimento do respeitoso ofício que V. Exa. dirigiu-me, fazendo assim o favor de manifestar-me que dignou-se dar a este lugar a felicidade de possuir a Vossa Excelente presença, satisfazendo assim os corações de todos os fiéis que sequiosos esperam o refrigério. E sendo do meu desejo e dever a mais tempo ter buscado de V. Exa. as determinações que seja necessárias, tendo deixado de assim praticar por motivo das faltas que por ora sofre este lugar, mormente de um Ministro da Igreja, porque o pouco que se pode fazer muito depende da minha presença - É por isso que vou impetrar de V. Exa. a graça de desculpar-me as faltas presentes e futuras e abençoar-me e à minha família, porque somos filhos obedientes e beijamos com respeito o santo anel - De V.Exa. Rvama. o mais humilde criado e obrigado - José Antônio Pereira.

FONTE: Luis Philippe Pereira Leite, Bispo do Império, edição do autor, Cuiabá, sd. Página 181.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A chacina do dia 13 de 1913, na rua 13

Abala o povoado de Campo Grande, trágico acontecimento, coincidentemente marcado pelo número 13: 13 de agosto de 1913, na rua 13 de Maio (esquina com a Barão do Rio Branco). O 
episódio que apareceu com destaque no primeiro jornal impresso da cidade, O Estado de Mato Grosso, do advogado Arlindo de Andrade Gomes, é sintetizado por Rosário Congro, intendente geral do município:

A noite de 13 de agosto de 1913 ficou tristemente gravada nos anais da cidade, com a verificação de um gravíssimo conflito provocado pela própria polícia, quando se realizava uma função no circo João Gomes e do qual saíram mortos o importante e acatado negociante da praça José Alves de Mendonça e o vereador municipal Germano Pereira da Silva e duas praças do destacamento policial, além de muitos feridos, entre eles Gil de Vasconcelos, Fernando Pedroso do Vale, Adelino Pedroso, Benedito de Oliveira, João de Souza, Carlos Anconi e três praças.


No dia seguinte o povo, armado, sob uma indignação geral, ouvindo-se imprec…

O nascimento de Janio Quadros

Filho do farmacêutico Gabriel Quadros (gerente da Farmácia Royal, de propriedade do médico Vespasiano Barbosa Martins), nasce em Campo Grande, em 25 de janeiro de 1917, Jânio Quadros. Ainda na infância mudou-se da cidade. Formou-se em Direito pela Universidade de São Paulo, em 1939. Iniciou a carreira política em 1948, como vereador na capital paulista, pelo Partido Democrata Cristão. Em 1951 elege-se deputado estadual. Em março de 1953 vence a eleição para a prefeitura de São Paulo. Em 3 de outubro de 1954 é eleito governador paulista, na sucessão de Lucas Nogueira Garcez. Em 1959 elege-se deputado federal pelo Estado do Paraná. Em 3 de outubro de 1960 vence o general Teixeira Lott e sucede Juscelino Kubitschek na presidência da República, onde permanece apenas sete meses, renunciando, tendo como justificativa pressão de forças ocultas. Com direitos políticos suspensos pela ditadura militar, retornaria à vida pública em 1985, como prefeito de São Paulo, derrotando Fernando Henrique C…

O primeiro trem do Pantanal

O povoado de Campo Grande liga-se por ferrovia a Aquidauana, Miranda e Porto Esperança, em 28 de maio de 1914. O jornal O Estado de Mato Grosso, do ex-juiz Arlindo de Andrade Gomes, dá a alvissareira notícia:

O povo parecia haver cansado de esperá-lo todo mês, toda semana, todo dia.
Mas, afinal, chegou. Uma locomotiva já desceu a encosta e acordou os habitantes a silvar.


Outras tem vindo, alegremente, na faina cyclopica da grande obra nacional. Todo mundo alegrou-se neste bendito rincão brasileiro.


Aos operários cobertos de poeira, misturam-se os habitantes da cidade. São gregos, italianos, japoneses, portugueses e brasileiros de toda casta.


No local da futura estação, grupos de famílias, rapazes, velhos e crianças, irmanam-se como os homens que fazem o caminho do progresso.


Para Paulo Coelho Machado, aquele 28 de maio é “só comparável a outro dia de maio, sessenta e três anos depois, quando chegou pelo telefone a notícia de que fora decidida a criação do Estado de Mato Grosso do Sul, com a…