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Um vilarejo sem lei




As notícias que chegavam de Campo Grande nos mais diferentes lugares não eram nada alentadoras, com relação à segurança dos moradores da localidade. Ao mesmo tempo em passavam um cenário de enorme potencial econômico, geravam enorme desconforto quando tornavam evidente a violência que avassalava o vilarejo. Com efeito, veja o que diz o jornal O Iniciador, de Corumbá, em sua edição de 27 de março de 1885:

"De Campo Grande também recebemos notícias desanimadoras. Outro italiano, cujo nome o correspondente promete ministrar-nos, foi barbaramente assassinado a CACETADAS. Dizem-nos que a questão deu-se com o sócio da vítima por ter ela subscrito com três mil telhas para a construção de uma capela, com o que contribuiu contra a vontade do sócio. Não é de hoje que o importante núcleo, que se está formando em Campo Grande, reclama a atenção do governo provincial.

Mais de 300 famílias se acham ali estabelecidas desde 1879 e até hoje ainda para lá não foi remetido um destacamento nem há nomeação de autoridade alguma policial, medidas urgentes reclamadas pelos habitantes daquela povoação, onde são frequentes os assassinatos, raptos, estupros e violação da propriedade alheia, segundo somos informados.

Ainda há pouco, dizem-nos, um sr. Ribeiro mandou assassinar no Paraguai a um tal de Rosas, e os capangas não fizeram mistério da ordem recebida, que propalaram abertamente até a véspera da perpetração do crime.

Do atual administrador da província, zeloso e solícito pelo bem público, como folgamos de reconhecer, esperamos remédio a tantos males, como o esperam os habitantes daquela nascente povoação".
  
A primeira sub-delegacia de polícia somente seria criada em 6 de maio de 1889, com a nomeação e posse de Joaquim Vieira de Almeida para seu titular. 


FONTE: Jornal O Iniciador (Corumbá), em 27 de março de 1885.


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